terça-feira, 22 de novembro de 2016

8 - Tendências e perspectivas atuais da Geopolítica

A nova ordem mundial que emerge no final do século XX e ainda busca sua melhor definição no começo do século XXI, reencantou o interesse pela Geopolítica. Já livre da maior parte dos estigmas, a Geopolítica busca ainda, paulatinamente uma maior afirmação como ciência.

Tendo início nos anos 1970, o movimento de revalorização da Geopolítica eclode com força nos anos 1990, dando origem ao que se chama de Geopolítica Crítica, ou Novas Geopolíticas, ou, ainda, Geopolíticas Pós-Modernas.

Diversos autores se revezaram nessa complicada tarefa de explicar o mundo que emerge após a Guerra Fria (1945-1991).  O estudo geopolítico no século XXI adquire diversas nuances. As disputas deixaram de ser militares? E qual a contribuição de outros poderes? Qual o peso do poder econômico, da cultura, do tipo de capitalismo que se adota? Quais elementos do passado ainda ajudam a explicar o mundo atual? Ou seria tudo novo?

Assumimos, pois, a complicada tarefa de falar de um mundo que olhamos pela janela, que vivenciamos, embora nem sempre o compreendamos por completo.

Novas Geopolíticas

A partir dos anos 1970, a Geopolítica foi perdendo os estigmas, superando as críticas, e voltando a figurar entre os estudos importantes para a compreensão do mundo.

Damos início então, nesse período impreciso entre 1970-1990 à segunda onda da Geopolítica, que recebe diversos nomes, como: novas Geopolíticas, Geopolítica Crítica, Geopolítica Pós-Moderna.

Para Fernandes (2010), o termo Geopolítica Pós-Moderna seria o mais apropriado para essa pluraridade de abordagens que surgem na Geopolítica pós-anos 1970, pois engloba diversos enfoques: descritivos, explicativos, analíticos, críticos, pós-modernos de fato, e até mesmo modismos alimentados pela mídia.

A “Geopolítica Crítica” é, para Font; Rufí (2006, p. 92) “uma nova geopolítica, que tenta desconstruir os discursos do poder, institucionalizados e, portanto, construir novas visões políticas das relações sócio-espaciais”. Nessa nova tendência, diversos aspectos estão envolvidos.

Uma grande “crítica” dessa corrente se direciona ao vínculo militar sem a qual a Geopolítica Clássica parecia não existir. Portanto isso conectaria a corrente crítica à produção acadêmico-científica, em contraposição à “Geopolítica Prática”, produzida pelos governos, e à “Geopolítica Popular”, produzida pela mídia e pelos meios de comunicação.

A Geopolítica Crítica também revisou alguns aspectos que fundamentavam a Geopolítica Tradicional: a visualização e o mapeamento do espaço global do alto; sua estrutura binária, que via o mundo de acordo com a categoria nós/eles – Leste/Oeste; a ideia de desenvolvimento eurocêntrica/ norte-americana, que agora dá espaço a outros modelos de desenvolvimento; a naturalização da “armadilha territorial”, que priorizava a ideia de soberania dentro de espaços fechados, como Estados; o enfoque constante em temas ligados &a grave; conquista do poder e o interesse nacional. 

Outra questão a ser destacada em Font; Rufí (2006) é a recepção da Geopolítica Crítica pelos novos temas do mundo contemporâneo, especialmente a questão ambiental.

Vesentini (2003) opta por chamar esse movimento de “Novas Geopolíticas”. Para ele o termo nova se justifica pois, embora o rótulo se mantenha, “os métodos e os pressupostos fundamentais dos geopolíticos clássicos foram deixados de lado” (VESENTINI, 2003, p.27).

Isso ocorreu não por mero preconceito ou por uma atualização metodológica simples. Ocorre que a realidade mudou substancialmente, e não é possível mais explicá-la com as teses de outrora.

Para ilustrar a questão, Vesentini (2003) recorre à análise do tema “grande potência mundial”, um estudo tradicional das análises geopolíticas. Na Geopolítica Clássica os elementos primordiais de composição de uma grande potência seriam: grande população, território vasto e grande capacidade militar (incluindo soldados, armamentos e estratégias).

No mundo contemporâneo pós-Guerra Fria grande potência seriam países com grande população, território vasto e grande capacidade militar (incluindo soldados, armamentos e organização estratégica). Essa concepção está ficando ultrapassada por conta de três aspectos.

Em primeiro lugar, a corrida armamentista da Guerra Fria conduziu os países a uma encruzilhada: os gastos militares excessivos, na maior parte dos casos, retêm uma quantidade significativa de recursos que poderiam ser gastos no desenvolvimento da economia de um país. Isso leva boa parte dos países do mundo a diminuírem seus gastos militares.

Em segundo lugar, a Terceira Revolução Industrial (ou revolução tecno-científica) vem diminuindo gradativamente a importância do tamanho do território, visto que, com o avanço da tecnologia, consegue-se produzir mais em menores espaços, fazendo com que o impacto das diferenças de extensão territorial seja reduzido.

Por último, pode-se dizer que, em decorrência ainda do desenvolvimento tecnológico, a mão de obra abundante se tornou menos necessária, em favor de uma mão de obra mais qualificada. Isso vale tanto para trabalhadores quanto para soldados.

Pode-se dizer que, atualmente, a “grande potência mundial” é um Estado (ou um agrupamento deles, como no caso da União Europeia) que produz tecnologias modernas, possui mão de obra qualificada, com excelentes níveis de escolaridade e com uma economia criativa, ou seja, que envolva o conhecimento como principal recurso produtivo.

Vejamos agora mais detalhadamente as nuances dessas “Novas Geopolíticas”.

 

Geoeconomia x Geopolítica

Provavelmente a perspectiva que mais tenha ganhado força desde 1990 é a ideia de que as disputas mundiais de poder seriam essencialmente econômicas, fazendo com que a Geopolítica se transformasse em uma Geoeconomia. Contribuiu para isso o artigo do cientista político romeno, naturalizado americano, Edward Nicolae Luttwak (1942-). Em seu texto intitulado “Da geopolítica à geoeconomia”, publicado em 1990 na revista norte-americana The National Interest, defende uma tese polêmica.

Para ele, com o fim da Guerra Fria, a política e os conflitos entre os países estariam menos relevantes nos dias atuais, dado o aumento da importância da economia para a definição do poder mundial. Reinterpretando a célebre frase de Carl von Clausewitz (1780-1831) pela qual “a guerra é a política continuada por outros meios”, Luttwak afirma que “a lógica da guerra está incorporada às regras do comércio”.

Por essa linha de pensamento, não faz mais sentido os governos pensarem em guerras convencionais. Luttwak defende que as disputas são econômicas e, portanto, o inimigo dos Estados Unidos, a grande potência mundial, não seria mais o comunismo ou a União Soviética, e sim os rivais comerciais, principalmente China, União Europeia e Rússia.

Outro autor a valorizar sobremaneira o papel da economia no poder mundial foi Lester Thurow (1938-), professor de economia no Massachussets Institute of Technology (MIT) e ex-assessor do presidente norte-americano Bill Clinton.

Seu argumento central é que no século XXI, as guerras econômicas dominam o mundo, no lugar das guerras militares. E seu questionamento básico é: quem vai dominar o mundo no século XX?

O século XIX foi britânico e o século XX foi norte-americano. O século XXI, para Thurow, está sendo disputado por cinco potências, que ele chama de “as cinco placas tectônicas” (VESENTINI, 2003, p. 34): Estados Unidos, Europa (liderada pela Alemanha), Japão, China e Rússia.

Para se credenciar a ser uma potência hegemônica esses países precisariam combinar elementos de competição com cooperação, produzindo “mais e melhores bens e serviços, ampliando a produtividade, o nível tecnológico e educacional, o padrão de consumo da população enfim” (VESENTINI, 2003, p. 33).

Outra abordagem a ser ressaltada é aquele trazida pelo economista, empresário e ex-assessor do governo japonês Kenechi Ohmae (1943-). Em seus livros “Um Mundo sem Fronteiras” (1990) e “O Fim do Estado-Nação” (1995), Ohmae arrebatou inúmeros seguidores, dos anos 1990 ao primeiro decênio dos anos 2000, com a sua ideia de decadência dos Estados-Nação.

Segundo sua tese, os mapas mundi seriam “ilusões cartográficas”, pois ainda mostrariam o mundo dividido em países, em fronteiras tradicionais que estariam perdendo seu significado.

Ohmae defende que se mostrem os “Estados-Regiões”, como a Catalunha, dentro da Espanha; a Liga Lombarda, com centro em Milão, dentro da Itália; a região dos Alpes, com centro em Lyon, dentro da França; a região de Shenzen, integrada a Hong Kong, dentro da China etc.

Pelo seu argumento, o Estado nacional impõe regras que prejudicam o mercado nacional, como os limites nacionais, as barreiras alfandegárias, a moeda nacional, o espaço, as legislações a serem seguidas, entre outros aspectos.

As regiões é que geram a prosperidade dos países, de acordo com Ohmae. Portanto, a economia global deveria ser cada vez menos dependente dos países, funcionando de forma mais ou menos autônoma em torno dos quatro “is”: “os investimentos (sistema financeiro), as indústrias (empresas, cada vez mais transnacionalizadas), as informações (tecnologia em rede: informática, telecomunicações etc.) e os indivíduos (consumidores)” (VESENTINI, 2003, p.42).

Entretanto, essa visão perdeu força, pois, após a primeira onda de neoliberalismo, muitos Estados voltaram a atuar decisivamente na economia, e a desregulação, com predominância cada vez maior do chamado Estado Mínimo, não se efetivou na prática.

Do ponto de vista econômico, existem ainda outras abordagens, como as que tratam da emergência dos megablocos regionais (impossível precisar apenas um autor), as análises de sistema mundo de Immanuel Wallerstein (1930-), as diversas abordagens sobre a globalização, e a perspectiva do historiador britânico Paul Kennedy (1945-), que defende que os grandes conflitos do século XXI serão causados pelas disparidades entre os países do Norte (de maior desenvolvimento socioeconômico) e os países do Sul (de menor desenvolvimento socioeconômico).

Entretanto, o que se nota dos autores que enfatizaram o aspecto econômico da Geopolítica é que não superaram o comprometimento ideológico da Geopolítica Tradicional. São em sua maioria ligados ao governo, e, em seus estudos, buscam a Geopolítica Prática, intencionando não apenas interpretar, como influenciar os rumos do sistema internacional. Nessa mesma linha encontra-se a contribuição da tese do Choque de Civilizações que veremos a seguir.

 

O Choque de Civilizações e a importância da cultura

Em um ensaio publicado em 1993 na revista de Relações Internacionais Foreign Affairs, chamado “Choque de Civilizações?”, o cientista político americano Samuel Phillips Huntington (1927-2008) trouxe uma nova interpretação para a geopolítica mundial, enfatizando a importância da cultura.

A ideia fundamental do ensaio, ampliada em livro de 1996, é que os conflitos no mundo contemporâneo não são mais militares ou econômicos, e sim culturais (civilizacionais): a civilização ocidental x a civilização islâmica; a civilização islâmica x a civilização hinduísta; a civilização hinduísta x a civilização sínica (chinesa) etc.

Para Huntington, civilização é a identidade cultural mais ampla de um povo. Por essa lógica, apesar das diferenças inúmeras, argentinos e brasileiros pertencem a uma mesma civilização, a latino-americana. Huntington define nove civilizações: ocidental, africana, islâmica, sínica, budista, hindu, ortodoxa, latino-americana e japonesa.

A análise do mapa de Huntington é fundamental para entender a conclusão de sua obra. Para ele, as linhas de cisão entre as civilizações são as áreas mais propensas a conflitos no século XXI. Recuperando uma perspectiva da Geopolítica Clássica, Huntington vê a maior possibilidade de conflitos nessas áreas por conta das disputas territoriais entre nações distintas.

Dentro de uma mesma civilização essas disputas não tenderiam a ocorrer pois cada civilização seria como uma “família”. E dentro de cada uma dessas famílias Huntington identifica um “Estado Núcleo da Civilização”, o líder dos demais Estados daquele bloco, responsável, entre outras coisas, por manter a ordem.

Como um geopolítico com seus compromissos ideológicos, Huntington termina suas obras refletindo sobre o papel dos Estados Unidos nessa Nova Ordem Mundial “multipolar” e “multicivilizacional. Para ele, os EUA estão em decadência, e é preciso que se unam à Europa, caso contrários, ambos serão destruídos separadamente.

Vejamos agora outras perspectivas das Novas Geopolíticas que tentam explicar o mundo para além do poder econômico e do poder cultural.

 

Outras perspectivas

As perspectivas mais recentes da Geopolítica são muito diversificadas. Tentaremos enquadrá-las em alguns rótulos que, longe de explicá-las devidamente, busca fornecer o potencial didático para que possamos entendê-las melhor.

Iremos designá-las, portanto da seguinte forma: Geopolítica e Liberalismo; Geopolítica da Complexidade; Geopolítica e o Realismo Geoestratégico; Geopolítica e Identidade; Geopolítica Ambiental.

Embora o liberalismo seja uma ideia subjacente a algumas das teses que vimos anteriormente, em “O Fim da História” (1992), de Francis Fukuyama (1952), sua importância parece ter sobressaído.

Fukuyama, funcionário do Departamento de Estado americano (o equivalente a nosso Ministério das Relações Exteriores), escreve primeiro um artigo, em 1989, logo depois da queda do Muro de Berlim. Três anos depois, em livro, aprofunda sua tese de que estamos passando por um estágio superior da história da humanidade, em que a democracia liberal se afirmou como melhor para os homens, e que daí só tendemos a ter um mundo mais coeso e harmônico.

O perigo dessa tese foi sua utilização pelos Estados Unidos para justificar a intervenção em países não democráticos. Sob o pretexto de universalizar a democracia, cometeram-se violações graves de soberania e não se respeitaram as culturas de diversos países.

Entre os autores da Geopolítica da Complexidade podemos destacar o jornalista e sociólogo espanhol Ignacio Ramonet (1943-). Para o autor de “Geopolítica do Caos” (1998), o caos se explica ausência de lógica na Nova Ordem Mundial, e o sistema mundial hoje se baseia em dois pilares: o mercado e a ideologia da comunicação. Mas não se sabe bem quem governa o mundo, muito menos “qual é o poder da mídia, dos lobbies, das ONGS, das empresas transnacionais, dos grandes investidores financeiros etc.” (VESENTINI, 2003, p. 75).

Por fim, as abordagens relacionadas à identidade e à questão ambiental ainda são bastante incipientes e interdisciplinares. No primeiro caso, estuda-se de que forma as mudanças mundiais impactam pequenos grupos, comunidades locais, identidades autóctones (oriundas de uma certa localidade). Em alguns momentos, trata-se de uma perspectiva culturalista, embora distinta daquele que apresentamos com Huntington.

A Geopolítica e o Realismo tem como principais expoentes os nomes de Henry Kisssinger e Zgbigniew Brzezinski, dois ex-secretários de Estado americanos. Para eles, a entrada em cena de outros atores que não só os Estados no sistema internacional, não amenizou o problema da violência, senão o tornou mais complexo. Agora, além dos Estados, deve haver uma preocupação com esses outros atores, mais dificilmente identificáveis, como grupos terroristas.

Portanto, esses autores defendem que os princípios democráticos e harmônicos devem valer dentro do território nacional. No sistema internacional continua prevalecendo a anarquia, e os países, especialmente os Estados Unidos, devem agir de forma a garantir seus interesses nacionais.

A Geopolítica Ambiental, embora careça também de um corpus teórico maior, emerge com bastante força devido à ascensão da problemática ambiental. Com os impactos ambientais, provocados ou não pelo homem, cada vez mais evidentes na natureza, articulam-se estratégias não só pela resolução dos problemas. Os países disputam também recursos, ideias e benefícios sobre o meio ambiente.

Notamos com imensa alegria que os estudos geopolíticos se renovam constantemente com base nas demandas da sociedade. Isso dá vitalidade e reforça o interesse sobre a Geopolítica. Entretanto, é preciso se criticar constantemente, para que, parafraseando o geógrafo Yves Lacoste, a Geopolítica sirva, antes de mais nada, para fazer a paz.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Trabalhador autonomo

Autônomo, por sua vez, é o trabalhador que exerce sua atividade profissional sem vínculo empregatício, por conta própria e com a assunção de seus próprios riscos, sendo certo que esta prestação de serviços há de ser eventual e não habitual.

A tomada de decisão organizacional

A tomada de decisão organizacional

A tomada de decisão em grupo

  •  Vantagens e desvantagens da tomada de decisão em grupo

 

Definindo quem decide: o modelo de Vroom-Jago

  • O modelo de Vroom-Jago procura identificar qual o estilo mais eficaz e qual o grau de participação apropriado dos subordinados na tomada de uma decisão organizacional.
  • O modelo tem três componentes:

1. os estilos de participação dos líderes,
2. um conjunto de questões de diagnóstico da situação e
3. uma série de regras de decisão.

 Estilos de participação dos líderes
 

  • O modelo de Vroom-Jago sugere que se façam sete questões de diagnóstico da situação para determinar qual a abordagem mais apropriada.
  •  A consideração desses sete fatores situacionais vai estreitando as opções e permite identificar o estilo de participação do líder mais apropriado a dada situação ou problema, como é ilustrado na figura a seguir.
  •  Diversos estudos têm permitido concluir que as decisões compatíveis com esse modelo tendem a ser bem-sucedidas e a ser as preferidas pelos subordinados.

Melhorando a eficácia das decisões organizacionais

  • Certas decisões contam mais que outras.
  • A ação é a meta, não a decisão em si.
  • Ambiguidade é o inimigo.
  • Agilidade e capacidade de adaptação são cruciais.
  • Papéis de decisão valem mais que organograma.
  • Uma organização alinhada reforça papéis.
  • Prática é melhor que sermão.

ESTILOS DE TOMADA DE DECISÃO

 

 

Estilos de tomada de decisão e nível organizacional

 

ESTILO DIRETIVO ›› é característico de pessoas orientadas para o desempenho e com baixa complexidade cognitiva.
ESTILO COMPORTAMENTAL ›› representa uma forma de tomar decisões na qual a principal preocupação é o bem-estar das pessoas.
ESTILO ANALÍTICO ›› é representativo de pessoas orientadas para tarefas e com elevada complexidade cognitiva.
ESTILO CONCEITUAL ›› é característico de pessoas que tomam decisões socialmente orientadas.

 

O MODELO RACIONAL DE TOMADA DE DECISÃO

Modelo que prescreve como os administradores devem se comportar para maximizar os resultados das suas decisões

As premissas subjacentes ao modelo racional de tomada de decisão são:

  • A situação é bem definida e está corretamente formulada;
  • As metas e objetivos a alcançar são claros e conhecidos;
  • Não há restrições de tempo ou de recursos;
  • Existe informação precisa, mensurável e confiável sobre todas as alternativas e os resultados potenciais de cada uma;
  • Todos os critérios e preferências para avaliar as alternativas são perfeitamente identificados;
  • O decisor é racional.

Limitações à racionalidade no processo de tomada de decisão

  • Racionalidade limitada – Teoria que sustenta que os gestores, ao tomar decisões, se desviam de um processo lógico e sistemático de análise, construindo modelos simplificados que apenas extraem os aspectos essenciais dos problemas.
  •  Diante da imperfeição do processo decisório, os administradores procuram soluções aceitáveis e satisfatórias, em vez de buscar a decisão que maximize os resultados possíveis.
  • O tempo e o custo necessários para coletar informações que permitam avaliar essas alternativas não compensam.

 

  •  Heurística da disponibilidade – Tendência para basear os julgamentos em eventos ou informações que estão facilmente disponíveis na memória.
  •  Heurística da representatividade - Tendência para basear os julgamentos em estereótipos previamente formados.

Armadilhas psicológicas na tomada de decisão

  •  A figura a seguir mostra as armadilhas psicológicas na tomada de decisão.

 

  • A ancoragem é a tendência de atribuir um peso desproporcional à primeira informação que se recebe.
  • A perpetuação do status quo é a tendência a favorecer alternativas que perpetuem a manutenção da situação existente.
  • O custo irrecuperável é a tendência de fazer escolhas que justifiquem decisões passadas, mesmo que essas decisões tenham se revelado erradas.
  • A evidência confirmadora é a tendência a buscar informações que corroborem seu instinto ou seu ponto de vista e a evitar informações que o contradigam.
  • A lembrança é a tendência a valorizar os acontecimentos que estão presentes na memória.
  • O excesso de confiança é a tendência de confiar demais na precisão de suas previsões, o que pode levar a falhas no julgamento e na avaliação de decisões.
  • A prudência é a tendência de fazer estimativas e projeções muito seguras e conservadoras.

O papel da intuição na tomada de decisão

  • A intuição pode ser definida como o processo de interpretar e chegar a conclusões sobre uma situação, sem recorrer a um pensamento consciente.
  • Quanto maior o nível organizacional ocupado pelo administrador, maior sua dependência da intuição.
  • A intuição está associada à coragem e à confiança.
  • A intuição é algo pessoal e intransferível.
  • As decisões intuitivas são baseadas na reflexão constante, no hábito, na experiência adquirida, na percepção de oportunidades temporal e política, e não só no tratamento de determinados objetivos.
  • Vários estudos têm comprovado que, de modo geral, a intuição produz bons resultados.

Erros e Vieses do Processo Decisório


Erros mais comuns na tomada de decisão

As pesquisas sobre decisão nas duas últimas décadas têm mostrado que as pessoas, em diversos campos, tendem a cometer os mesmos tipos de erros. Assim, qualquer que seja a decisão que você tem de tomar, é provável que possa ter os erros mais comuns nas dez seguintes “armadilhas à decisão”. Esses erros (e outros, a ele relacionados) infestam partes diversas do seu processo de tomada de decisões. As dez armadilhas mais perigosas para a decisão são:

a) Precipitar-se: Começar a colher informações e chegar a conclusões sem antes dispensar alguns minutos para abordar os aspectos mais importantes da questão ou para tentar compreender como essas decisões devem ser tomados;

b) Cegueira estrutural: Partir para resolver o problema errado, pois você criou uma estrutura mental para decisão sem refletir muito, o que faz com que passe pelas melhores opções ou perca de vista objetivos importantes;
 

c) Falta de controle estrutural: Deixar de definir de maneira consciente o problema de mais de uma forma ou ser indevidamente influenciado pelas estruturas de outros;

d) Excesso de confiança em seu julgamento: Deixar de colher informações factuais importantes por estar demasiado seguro de suas hipóteses e opiniões;

e) Atalhos míopes: Basear-se de modo indevido em “regras práticas”, tais como confiar de maneira implícita nas informações mais prontamente disponíveis ou basear-se em de masiaem fatos que lhe convêm;

f) Atirar da linha de cintura: Acreditar que pode ter em mente todas as informações que dispõe “improvisando” em vez de seguir um procedimento sistemático ao fazer a escolha final;

g) Fracasso em grupo: Assumir que, com tantas pessoas inteligentes envolvidas, as boas escolhas seguirão automaticamente, deixando assim de gerenciar o processo de tomada de decisões do grupo;

h) Enganar a si mesmo a respeito do feedback: Distorcer a evidência de fatos passados para proteger seu ego ou porque sua compreensão do que deveria ter sido feito o está atrapalhando;

i) Falta de acompanhamento: Assumir que a experiência irá expor automaticamente suas lições, deixando assim de manter registros sistemáticos para acompanhar os resultados de suas decisões e de analisar esses resultados de maneira a revelar suas mais importantes lições;

j) Deixar de conferir seu processo de decisão: Não elaborar uma abordagem organizada para compreender sua própria tomada de decisões, ficando assim constantemente exposto a todas as outras nove armadilhas.

Heurística e vieses
• Teoria prescritiva: preocupa-se em compreender como as decisões são tomadas.
• Como as pessoas tomam decisões: geralmente usam regras para apoiar nesses momentos.
• Essas regras (heurística) tornam a tarefa de tomada de decisão mais fácil, mas pode induzir a erros (vieses), se forem utilizadas indiscriminadamente.

Heurísticas
São estratégias que buscam simplificar o processo de tomada de decisões.
heuristique – “aquilo que serve para descoberta; arte de fazer descoberta”.
Está ligada ao processo cognitivo.

Vieses
O viés é caracterizado por uma visão parcial do problema, um desvio mental, até um preconceito que gera discrepância entre o julgamento que está sendo feito e a realidade a ser julgada.
Heurísticas e vieses no julgamento

Heurística da disponibilidade - Avalia a frequência de um problema com as informações mais “disponíveis” da memória. Pode ocorrer o viés da facilidade de lembrar - viés cognitivo.
Viés cognitivo – tem origem no modo como as informações são processadas, em como o mundo é percebido, como aprendemos.
Vieses emocionais – emoções que podem nos dar força, coragem para enfrentar um problema ou nos cegar para pontos da realidade que contradizem nossa visão ou expectativa.
Racionalidade – no processo decisório - Consiste em tomar uma decisão (ou um conjunto delas) que nos leve a um resultado ótimo.

A INFLUÊNCIA DAS HEURÍSTICAS E DOS VIESES NO PROCESSO DECISÓRIO RACIONAL


• Impacto das heurísticas e dos vieses no processo decisório racional
 

 

1. Definição do problema: disponibilidade

Julgamos o caso (evento, objeto, pessoa) com a associação e estruturas mentais que vêm mais rápido à memória, à lembrança, recordando mais eventos frequentes, próximos ou que nos emocionaram fortemente.
Vieses que podem ocorre dentro dessa heurística:
• Facilidade de lembrança – um indivíduo julga a frequência com que um evento ocorre pela disponibilidade de seus exemplos;
• Recuperação – os indivíduos guardam informações na memória da forma mais fácil de recuperá-las, assim forma-se estereótipos para tentar identificar grupos em meio a muitas informações e características sobre todos os indivíduos;
• Esse viés é a origem do preconceito.
• Associação pressuposta - os indivíduos julgam a frequência com que dois eventos podem ocorrer concomitantemente.
• Como melhorar – maneiras de evitar esses tipos de vieses:
• É importante reconhecer o modelo mental como foco financeiro e detalhista de suas análises, para identificar com quais pessoas buscar informações e opiniões que possam complementar o seu ponto de vista.
• Verificar se está usando o enquadramento correto para aquela situação.
• Avaliar se seus quadros são realmente efetivos.
• Quando possível, usar processo que tragam informações suficientes e adequadas para se tomar uma decisão.
• Descubra ou construa um quadro melhor.
 

2. Geração de alternativas: representatividade e excesso de confiança

Representatividade:
Essa heurística é acionada quando temos de identificar a probabilidade de que algo (evento ou pessoa ou objeto) pertença a uma classe ou grupo, no caso uma alternativa de sucesso.
Tentamos avaliar o nível de similaridade das características principais de um evento que se enquadre em uma situação padrão já vivida.


Vieses que podem ocorrer dentro dessa heurística:

• Insensibilidade ao tamanho da amostra – avaliação de determinada situação sem avaliar o tamanho da amostra que se irá analisar.
• Interpretação errada da chance – as pessoas esperam que uma sequência de eventos gerados em um processo randômico representará as características essenciais mesmo quando uma sequência é curta.
• Insensibilidade aos índices básicos – há uma tendência de as pessoas ignorarem os índices básicos quando avaliam probabilidades, muitas vezes quando são impactadas por eventos recentes.
• Regressão média – há uma tendência de as pessoas acharem que os eventos extremos são seguidos por eventos similares, de maneira a permanecer no mesmo patamar.


Excesso de confiança:
O excesso de confiança tem relação direta com o otimismo acerca das probabilidades de sucesso.
Quanto maior a dificuldade ou o conhecimento do problema, maior a probabilidade de o indivíduo superestimar a possibilidade de resolvê-lo, podendo gerar alternativas mais simples, ou mesmo não avaliar adequadamente o risco que está correndo com a escolha.
 

Como melhorar – maneiras de evitar esse tipo de heurística e vieses
• Buscar várias alternativas para um mesmo problema, não se restringindo à primeira que aparece.
• Buscar alternativas impensadas.
• Verificar se as alternativas atendem a todos os objetivos.
• Avaliar as alternativas de maneira a verificar os prós e contras, sob vários aspectos.
• Estimar realisticamente as chances de sucesso das alternativas e, se possível, gerar estimativas históricas e utilizá-las.
• Tomar decisões em grupo, desde que dentro dele existam opiniões divergentes e haja tolerância quanto ao conflito de opiniões sobre as atividades.
 

3. Determinação de objetivos: ancoragem
• Tomada de decisão a partir de uma “âncora” inicial.
• As “âncoras” podem criar armadilhas tanto na quantidade como na qualidade dos objetivos.
• Devem ser continuamente questionadas e criticadas, na busca de âncoras mais apropriadas ao contexto decisório.
 

Como melhorar – maneiras de minimizar os efeitos da ancoragem na determinação dos objetivos
• Explorar vários objetivos para dado problema.
• Buscar opinião de pessoas com trajetórias profissionais distintas.
• Avaliar se os objetivos atendem, de fato, ao problema formulado.
 

4. Tratamento da informação (ou incerteza)
• Quando se fala em tomada de decisão, se refere a julgar sob a incerteza.
• Para escolher a melhor alternativa, além de tratar sua incerteza, temos de avaliar todos os resultados possíveis.
• Valor esperado – combinação dos resultados com a possibilidade de cada um deles ocorrer.
• Cada nível de um resultado é associado com um nível esperado de prazer ou beneficio chamada utilidade.
• O valor da utilidade não é monetário.
• O conceito de aversão ao risco leva em consideração qual o valor (equivalente de certeza) que faria o decisor ficar indiferente entre um evento incerto e um evento certo.
 

Questões para avaliar – Qual alternativa você prefere:
a) Um projeto que trará com absoluta certeza um lucro de 50 mil, ou
b) Um projeto com 50% de chance de lucrar 100 mil?
c) Outro exemplo
d) Um projeto com certeza absoluta de um prejuízo de 50 mil,ou
e) Um projeto com 50% de chance de perder 100 mil?
 

Teoria perspectiva - Kanhneman e Tversky argumentam que o decisor tende a evitar o risco em relação a opções de ganho e a expor-se ao risco quando poderá perder.
• O impacto da estruturação da informação é um ponto importante.
 

Como melhorar:
a) Utilize imagens e níveis de confiança;
b) Verifique outros lados da questão e não só o que foi apresentado, para evitar a estruturação do problema induza a uma visão favorável ou desfavorável.
Avalie os riscos dos empreendimentos, tentando antecipá-los e revertê-los em oportunidades a serem aproveitadas.

5. Avaliação de alternativas: maldição da confirmação e evitação do arrependimento


?Maldição da confirmação:
• Introduzimos parcialidade na avaliação pelo viés cognitivo da confirmação.
• Esse viés é derivado da predisposição do ser humano em confirmar suas crenças, seus valores e suas ideias.
• Deve-se elencar prós e contras reais, sem se restringir a apenas incluir a mesma evidência como vantagem de uma alternativa e desvantagem de outra.
• Buscar várias abordagens para a questão de preferência com outras pessoas.


? Evitação do arrependimento:
• A tendência do ser humano de não querer perder, gera um viés emocional que faz com que se decida não pela melhor alternativa, mas por aquela que não gere arrependimento futuro.
 

Como melhorar:
• Avalie as alternativas em termos de vantagens e desvantagens de cada uma.
• Os objetivos indicam questões de que devem ser avaliadas em cada alternativa, verifique a necessidade de ponderá-los.
• Tente avaliar resultados em longo prazo.
• Tente obter perspectivas diferentes das suas para avaliar as alternativas.
 

6. Implementação da decisão: procrastinação

• Procrastinação – quando se deixa para executar as ações previstas na última hora.
• Decisões empresariais podem ser procrastinadas por um descompasso entre os agentes de decisão e os que a implementam.
Como melhorar:
• Maior interface entre dinâmica do processo decisório e sua implementação.
• Incentivos financeiros e não financeiros a uma implementação bem-sucedida.
• Estabelecimento e controle de cronogramas para implementação, com a confirmação e obtenção de comprometimento para cada data.
• Indicadores de desempenho dos executivos conectados à estratégia da empresa e medidas de qualidade na implementação.
 

7. Avaliação do resultado da decisão: maldição do conhecimento e o egocentrismo
?

Maldição do conhecimento:
 Mudanças no cenário da decisão podem ocorrer, mas são desconsideradas no instante em que avaliamos os resultados.
Podemos usar todas as etapas do processo decisório, mas sempre temos restrições de tempo e de informação.
 

Egocentrismo:
Ilusão positiva – gera o viés emocional do egocentrismo.
Na interpretação de resultados, o egocêntrico colocará as informações a seu serviço, sem avaliar adequadamente e por outros ângulos a realidade.
 

Como melhorar:
• Avalie as causas dos resultados de fora para dentro.
• Identifique fatos e não suposições.
• Crie estimativas a partir das decisões, para evitar erro repetitivo.
• Aprenda com os insucessos e implemente melhorias.
 

8. Decisões em série: Escalada do comprometimento
• Decisões em série
 

Fonte: Yu, Abraham Sin Oih, 2011

Decisões em série: Escalada do comprometimento


• Quanto maior a relevância de uma decisão tomada previamente, maior o seu potencial impacto como catalisador da escala do comprometimento.
   • Como melhorar:
      • Estruturação de sistemas de recompensa que não só privilegiem resultados, mas também vinculem a qualidade do processo decisório em si.
      • Criação de ambientes organizacionais que permitam níveis de falibilidade nos processo de decisão, abrindo caminhos institucionais para eventuais mudanças de curso.
      • Adoção de pessoas externas para análise imparcial da qualidade e do resultado de decisões relevantes tomadas e a serem tomadas.
 

Tendências mundiais observadas na evolução do Seis Sigma

Atualmente não há dúvidas de que o programa Seis Sigma, quando ele realmente apresenta os requisitos necessários para receber a denominação “Seis Sigma”, é uma estratégia de negócios que veio para ficar e se disseminar, não sendo apenas mais um modismo passageiro na área da qualidade. O programa vem se aprimorando desde então, sendo adotado por um número cada vez maior de organizações, tanto no setor industrial quanto no de prestação de serviços. A divulgação dos resultados financeiro s obtidos pelas empresas que implementaram o programa funciona como um excelente catalisador para o seu crescimento.

No que diz respeito ao futuro do programa, é possível destacar as seguintes tendências:


? Ampliação do reconhecimento da sinergia entre o Seis Sigma e as práticas do Manufacturing, gerando o programa denominado Seis Sigma;

? Maior disseminação do Design for Six Sigma (DFSS);

? Aumento do número de médias e pequenas empresas que implementarão o programa, adotando as adequações ou simplificações necessárias à sua realidade empresarial;
?
? Consolidação do Seis Sigma como uma estratégia para criação de valor para as empresas (e não, apenas, para eliminação de defeitos ou redução de custos);

? Ênfase na integração do Seis Sigma a programas de qualidade previamente existentes na empresa e à certificação de produtos, como as normas da série ISO 9000;

? Utilização de softwares específicos para o gerenciamento do Seis Sigma nas organizações.